Friday, October 06, 2006
Decisões tomadas num dia de chuva
Comprar uma casaco pra chuva.
Comprar uma coleçao de botas (imprescindível!).
Thursday, October 05, 2006
Sinal
Sabe aqueles dias chuvosos, cinzentos... você acorda e ouve o barulhino das gotas de chuva batendo em sua janela e toda a vontade que você tem é a de ficar em casa, fazer nada e a tarde, quem sabe, assistir a um filme na TV comendo pipoca? Tomando um chazinho talvez. Dia de chuva.
Bom, aqui não tem jeito, o tempo previsivelmente imprevisível é completamente louco, no mesmo dia chove e bate sol. Então você se vê diante desta cena: monta seu kit básico de sobrevivência constituído por guarda chuva dos bons, um rain coat, uma roupa mais ou menos pra não passar frio mas também pra não ficar morrendo de calor e toda bagulhada mais necesssária no seu dia (bolsa, comida, papéis, papéis, papéis, laptop, o diabo!). Pegue tudo isso e carrege em sua bike. Acresecente a chuva caindo sobre você. Se você se vê em uma cena destas na boa, parabéns, isso é um "sinal".
*****
Bom, o tempo hoje amanheceu agradável, céu claro, apesar da previsão ser de chuva e garoa no decorrer do dia. Pensei: ônibus ou bike? Ôninus? A cidade está parada, houve uma espécie de quermesse, então gastaria uns 20 minutos. Bike? Yesssss! Menos de 10 minutos. Bom, lá fui eu com toda minha tralha, meu kit básico de sobrevivência de todos os dias. Tudo certo até que, ao entardecer, começa a boa e velha chuva... Voltar pra casa: ônibus ou bike? Olho pela janela, muita gente voltando pra casa de bike... pensei: "Ah, coloco meu casaco e tomo uma garoinha só, rapidinho."
Decisão tomada hoje: de hoje em diante choveu, ônibus.
Barulinho bom
Abstração humana
Marquês de Maricá
Wednesday, October 04, 2006
Suddenly
De repente, não mais que de repente...
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Há pessoas que pensam demais.
Há pessoas que pensam errado demais.
Há pessoas que pensam que o que elas pensam está correto (quando na verdade não está).
Há pessoas que pensam que a gente não pensa.
Há pessoas que subestimam nossa capacidade de pensar.
Mas sendo que o que elas pensam não está correto, a coisa é deixar esse mar de pensamentos coduzir pra qualquer lugar.
Nau a deriva. Navegando em alto mar.
*****
De repente, não mais que de repente...
Tuesday, October 03, 2006
Um rio sem fim

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
-Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, 11-9-1933
(ilustração criada por Tatiana Paiva)
Segue teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, 1-7-1916
Monday, October 02, 2006
Para Viver Um Grande Amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor. Vinícius de Moraes.
Saturday, September 30, 2006
No meu tempo isso era Saci!

Quando eu era criança pequena, não muito pequena, tinha tanta coisa boa... eu fazia catecismo em uma igrejinha perto de casa e ia a pé pra lá com meus amigos por um caminho que não era asfaltado, então era aquele poeirão! Naquele tempo eu não ligava tanto assim que o cabelo ficava imundo e que aquela poeira toda ia ficar depositada na pele até a hora do banho, nada disso. Como éramos felizes! rsrsrs Nesta estrada de terra sempre que ventava tinha Saci. Saci? É, Saci! Porque com o vento formavam-se aqueles redemoinhos de terra e dizia minha avó que era Saci preso! rs Quando vi esta foto na versão web da Folha de São Paulo ri comigo e pensei: "no meu tempo isso era Saci! ". E várias coisas boas - graças!- surgiram de algumas das dobrinhas do meu cérebro.
Tuesday, September 26, 2006
Sonhos sonhos são
Monday, September 25, 2006
Mal humorada
Tosse.
Nariz tapado.
Respiraçao comprometida (exagero, mas está ruim mesmo).
Mal humor.
Nariz machucado.
E um monte de coisa pra fazer.
Eu ODEIO ficar gripada.
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Cansei de Orkut... faz um tempo já, mas hoje que estou mal humorada, tossindo, com muita coisa pra escrever e ler mas sem vontade, me vi ainda mais cansada de Orkut. Para mim o Orkut ainda é ótimo para sempre olhar a carinha das pessoas distantes fisicamente. Às vezes, longe mesmo da lembrança... aí você se lembra, revê... Vai saber se está tudo bem, dar um oi. Acho o máximo isso. Todas as pessoinhas que (re)encontrei! Mas é o ó como as pessoas bisbilhotam sua vida, perdem seu precioso tempo para vasculhar e saber todos os passos de fulano, beltrano e todo mundo. Eu me recuso a apagar "scraps" ou sair ou qualquer coisa. Mas é muito chato. Cansei um pouco. Mas ainda olho minhas carinhas e falo oi! ;-)
Ah, saber usar é tudo! Muita informaçao disponível. Saber usar, como tudo aliás.
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Não estou mais só. depois de duas semanas, lab cheio novamente. Bom.
Sunday, September 24, 2006
Bate-papo com a Dinda
Hoje concordamos que até para evitar aborrecimentos desnecessários, utilizamos ao menos o menor grau...
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"Lindo, que eu me sinto enfeitiçada..." rsrsrsr
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Assisti a um show chique, como não poderia deixar de ser, da Marisa Monte, um mix das suas 3 últimas obras. Chique porque menos é mais. A simplicidade do cenário realça a voz, o som, o estilo. Enquanto assistia pensei que o show era como uma poesia concreta, como se ela quisesse empregar algo abstrato de maneira física, com luz, som e imagem. É uma marca. Eu sempre penso isso quando assisto a um show dela. Obviamente, até porque várias das composições têm sua autoria, lembrei-me de Arnaldo Antunes... tenho que ler mais, ver mais esse cara. E não é que recebi um presentinho da Dinda? Coisas que a ciência não explica... ;-)
A ciência não se aprende
A ciência apreende
A ciência em si
A ciência não se ensina
A ciência insemina
A ciência em si
A ciência não avança
A ciência alcança
A ciência em si
arnaldo antunes
Eu não sou da sua rua
Eu não sou o seu vizinho.
Eu moro muito longe, sozinho.
Estou aqui de passagem.
Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.
Estou aqui de passagem.
Esse mundo não é meu,
Esse mundo não é seu...
Branco Mello e Arnaldo Antunes
Thursday, September 21, 2006
Tuesday, September 19, 2006
Pensa só
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos, que
ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão.
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja para não lembro bem o que faz, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e
tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana,
da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio
dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um
equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você
vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por
dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia
hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e
comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem
ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar
delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por
dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos
e espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo
tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os
dentes enquanto faz sexo.
Sobrou uma mão livre?
Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e
se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que
ir ao banheiro.
E já que vou, levo a escova de dentes.
Luís Fernando Veríssimo
Monday, September 18, 2006
Saturday, September 16, 2006
Novo vício
Adoro ler, adoro ver, curto comentar e agora estou fuçando o meu próprio, descobrindo um brinquedinho novo.
Há todo um universo para os blogueiros como sites epecializados, de cadastro, tutoriais, um paraíso para os pobres adictos. Como se já não ficássemos tempo demais em frente a essa joça...
Não é muito fácil a tarefa de definir o que será o seu blog. Eu ainda não sei, escrevo qualquer bobagem ainda e tudo certo. Ainda tenho pra mim ser este um bom exercício de escrita e se alguém perde algum minuto de seu precioso tempo lendo algo aqui, é também um meio de interagir com outras pessoas. Amigos, desconhecidos, habitantes do mundo do vício.
É, aos pouquinhos vou me estabilizando.
Friday, September 15, 2006
Poxa vida...
Bom, as coisas andaram mudando por aqui, politicamente falando, e novas regras são agora aplicadas a estrangeiros que decidam viver aqui. Eles têm que saber tudo de Holanda e dizem meus amigos dutch que mesmo eles, se fossem submetidos ao tal teste obrigatório de integração cultural, provavelmente seriam reprovados tamanha a especificidade. Independente da obrigatoriedade, não vou discutí-la aqui, até por que graças a Deus não estou incluída no grupo dos "obrigados" (ainda não), pego-me, às vezes, sentindo uma certa necessidade de aprender a língua gutural. Eu moro aqui. Não é por nada, você sempre se sentirá um estrangeiro, ou melhor, brasileiro, mas de alguma maneira estou fazendo parte deste lugar. E por isto gostaria de aprender, afinal, nunca é demais. Mesmo se tratando de uma língua falada... aqui. rs Mas três situações ocorreram comigo, a última delas hoje no supermercado, e por isto o post. Uma delas nos nibus e trens, quando algumas pessoas de idade puxam conversa comigo. Com uma carinha super simpática! Imagino que estejam falando de alguma bobagenzinha gostosa de se jogar conversa fora... e eu digo "I'm so sorry..." Uma outra com crianças. Eles começam com inglês aos 11, 12 anos, então, eu não posso brincar com as coisas fofas por que elas não me entendem... outro dia a filha de um amigo meu se esgüelou de falar comigo, eu de costas, sem a mínima noção de que ela estava tentando chamar a minha ateçao, até que outro amigo disse a ela: 'ela fala inglês...' que dureza!
Mas hoje foi fatal. No caixa do supermercado, uma pessoa em cadeira de rodas disse-me alguma coisa que entendi, entendi não, deduzi ser pedir licença para passar. E educadamente dei passagem. Rapidamente uma moça que estava ao meu lado começou a ajudar a pessoa a colocar as compras no caixa para serem pagas. Que mico! Que vergonha! Que deficiência a minha.
